Levantamento feito pela Proteste compara taxas cobradas por cartões das principais lojas, supermercados e postos de gasolina

São Paulo – Os cartões oferecidos por lojas de departamento, supermercados e postos de gasolina são, em geral, acessíveis. Alguns deles exigem uma renda mensal de apenas 300 reais e muitas vezes podem ser obtidos dentro do próprio estabelecimento, depois de breves perguntas sobre o perfil do consumidor.

Mas antes de se empolgar com a ideia de ter crédito fácil e algumas vantagens em compras, é necessário lembrar que, quanto mais fácil a contratação do cartão, maior serão os juros cobrados no plástico como forma de compensar o risco da operação.

Levantamento da associação de consumidores Proteste aponta que o Custo Efetivo Total (CET) do crédito rotativo, para quem não paga o valor mínimo da fatura, pode chegar a 875,25% ao ano nesses tipos de cartões. É o caso dos oferecidos pela rede de lojas de departamento Riachuelo e também pela rede de supermercados Sonda.

A pesquisa da Proteste foi feita com 37 cartões. A associação de consumidores escolheu os mais relevantes por número de ativos de sua rede e também os que foram mais procurados por consumidores e associados. Ficaram de fora cartões de companhias aéreas e o da Porto Seguro, que já haviam sido incluídos em pesquisas anteriores.

Foram considerados cartões private label, híbridos e co-branded. Cartões private label só podem ser utilizados em compras na rede onde foram contratados. Já os híbridos têm bandeira Visa ou Mastercard e podem ser utilizados em outros estabelecimentos, mas têm limite diferenciado caso sejam utilizado na rede associada a ele. Por fim, os co-branded são cartões personalizados criados por bancos em parceria com marcas com o objetivo de fidelizar consumidores.

A pesquisa mostra ainda que apenas quatro entre os cartões pesquisados efetivamente não cobram pela anuidade: o da rede de lojas de departamento Renner, da Riachuelo, da rede de livrarias Saraiva e da Petrobras. Entre os cartões pesquisados, a anuidade pode chegar a custar até 327,60 reais.

Veja abaixo as principais taxas cobradas nos 37 cartões de lojas de departamento, supermercados e postos de gasolina avaliados pela Proteste:

Supermercados

RedesBandeira - CET no rotativo (% ao ano) - Renda mínima (R$) - Anuidade (R$)

Bourbon Card ou Zaffari Card/Bourbon - Sem bandeira*

332,99% ao ano - R$1.500 - R$4,99

Carrefour Internacional/Carrefour- Visa/Mastercard

492,99% ao ano - Análise de crédito - R$166,68/167,88

Carrefour Nacional/Carrefour - Visa/Mastercard

492,99% ao ano -  Análise de crédito - R$142,68

Carrefour Private Label/Carrefour - Sem bandeira*

492,99% ao ano - Análise de crédito - R$125,88

Cencosud Gold/Bradescard - Visa/Mastercard

210,44% ao ano - R$500 - R$233,88

Cencosud Internacional/Bradescard - Visa/Mastercard

210,44% ao ano - R$500 - R$155,88

Extra Itaucard 2.0 Gold/Itaú - Mastercard

178,19% ao ano - 2.500 - 327,60

Extra Itaucard 2.0 internacional/Itaú - Mastercard

178,19% ao ano - R$ 1.000 - R$ 143,88

Guanabara Card/Guanabara - Sem bandeira*

332,99% ao ano - R$880 - R$2,30

Pão de Açúcar Itaucard 2.0/Itaú - Mastercard

178,19% ao ano - R$2.500 - R$306,00

Sonda/DMD Card - Sem bandeira*

875,25% ao ano - Análise de crédito - R$9,90

Walmart Itaucard 2.0 Internacional/Itaú - Mastercard

180,96% ao ano - R$1.000 - R$131,88

Lojas de departamento

CartõesBandeira - CET no rotativo (% ao ano) - Renda mínima (R$) - Anuidade (R$)

Americanas.com/Bradescard - Visa

705,61% ao ano -  Salário Mínimo - R$155,88

C&A Gold/Bradescard - Visa

193,58% ao ano-  R$300 - R$155,88

C&A Internacional/Bradescard - Visa

193,59% ao ano - R$300 - R$155,88

Leader/Bradescard - Sem bandeira*

666,15**/639,18% ao ano - Salário Mínimo - R$3,80

Leader/Bradescard - Visa

639,18% ao ano - Salário Mínimo - R$102,00

Marisa/Itaú - Sem bandeira*

487,49% ao ano - Ni - R$ 46,80

Marisa Itaucard/Itaú - Mastercard

210,44% ao ano - R$800 - R$95,88

Marisa Itaucard 2.0/Itaú - Mastercard

178,19% ao ano - R$800 - R$95,88

Renner - Sem bandeira*

765,22% ao ano - Salário Mínimo - Sem anuidade

Renner – Meu Cartão - Mastercard/Visa

465,38% ao ano - Salário Mínimo - R$118,80

Riachuelo/Midway - Sem bandeira*

875,25% ao ano - Análise de crédito - Sem anuidade

Riachuelo/Midway - Visa/Mastercard

875,25% ao ano - Análise de crédito - R$63,00

Saraiva/Banco do Brasil - Visa

285,03% ao ano - Salário Mínimo - Sem anuidade

Submarino/Banco Cetelem - Visa

705,61% ao ano - Salário Mínimo - R$188,40

Postos de gasolina

CartõesBandeira - CET no rotativo (% ao ano) - Renda mínima (R$) - Anuidade (R$)

Petrobras/Banco do Brasil - Visa

285,03% ao ano - Salário Mínimo - Sem anuidade

Ipiranga/Itaú - Visa/ Mastercard

180,96% ao ano - R$800 - R$121,80/140,40

Shell/Santander - Visa/Mastercard

697,52% ao ano - Salário Mínimo - R$171

*Somente para compras nas lojas da rede

O que pesar na escolha

O consumidor deve avaliar bem todos os custos cobrados no plástico antes de ter cartões de diversas lojas na carteira, diz Renata Pedro, coordenadora da Pesquisa. “O que deve pesar na conta é se, de fato, o consumidor faz compras frequentes no estabelecimento e tem boas vantagens ao contratar o produto”.

Entre as principais vantagens oferecidas pelos cartões, estão o alongamento do parcelamento da compra, descontos em produtos, primeira parcela da compra paga apenas na segunda fatura do cartão e acúmulo de pontos em programas de fidelidade.

Os custos de cartões de loja também devem ser sempre comparados aos de outros cartões. Esses plásticos enfrentam hoje a concorrência não apenas de cartões tradicionais emitidos por banco com taxas mais em conta, mas também o de fintechs como Nubank e Digio, que não cobram anuidade pelo uso do plástico. Tecnologia bancária: Saiba com o Mundo Corporativo como as fintechs avançam no mercado brasileiro e podem Patrocinado

Se o principal atrativo do cartão for mesmo a acessibilidade, o consumidor deve ter consciência de seus gastos para não ter de pagar altas taxas de juros pelo serviço.

A contratação dos cartões não pode estar vinculada à aquisição de títulos de capitalização ou seguros de vida. “Isso se configura como venda casada, prática proibida pelo Código de Defesa do Consumidor”, explica Renata.

Por Marília Almeida

access_time29 mar 2018, 13h28 - Publicado em 28 mar 2018, 05h00

Fonte: Exame